O que devo saber e "ainda" não sei sobre calibração de Audiômetros. (Parte 1)

Diariamente converso com vários clientes e o tema principal do que falamos acaba sempre convergindo para mesmo ponto em comum, necessidade de calibração.

Sim, muitos vem  a calibração dos equipamentos audiológicos como um fardo, algo desnecessário, que deve ser feito por obrigatoriedade das normas ou resoluções, mas será isso mesmo? 
Calibração de Audiômetro
Tecnicamente falando, podemos enumerar diversos fatores que de alguma maneira afetam a calibração de um equipamento de precisão, e sim, seu audiômetro é um equipamento de alta precisão.
Primeiramente vamos observar o clima de nosso lindo país tropical que, hora chove, hora faz um sol de rachar, temos alta umidade, calor e frio. Essas condições geram estresse nos componentes eletrônicos, afetando o desempenho geral de seu funcionamento. Lembre-se seu equipamento não curte ficar pegando um bronzeado ao sol ou pegando uma brisa na beira da janela, proteja-o.
Temos também o uso diário, ao fim de um ano quantos exames foram feitos e quanto foi manuseado esse equipamento? Por mais cuidadoso que você seja isso também gera desgaste considerável, principalmente dos componentes mecânicos e transdutores.
Lógico que não podemos esquecer também do "mau uso", batidinhas, tombos, transportar o equipamento daqui para lá em malas com rodinhas ou solto no porta malas do carro, pacientes que tentam tirar sozinhos os fones ou vibrador ósseo os derrubando ou arrastando para fora da cabine.
E não menos importante de lembrar, os surtos e variações da rede de energia elétrica.
Enfim, todos esses fatores podem  alterar valiosos "dB" de nossos exames. Por isso já a muito tempo foi observada a necessidade de calibração e também foi normatizada a periodicidade para tal. Atualmente temos as seguintes normativas que descrevem o período de intervalos entre calibrações:
  • Resolução 365, do Conselho Federal de Fonoaudiologia
  • Portaria 19 do Ministério do Trabalho
  • Norma ANSI S3.6, Norma IEC 60645-1, Norma ISO 8253-1
Em todas elas é estipulado o intervalo de 12 meses, ou até menos caso você tenha suspeitas de descalibração.
Resumindo, a calibração periódica de seu equipamento audiológico garante exames fidedignos, agrega valor ao seu serviço, evita dores de cabeça desnecessárias com fiscalizações ou auditorias de empresas que possuem ISOs.
Eu colocaria aqui também um detalhe importante e que não pode ser deixado de lado: Existem problemas que ocorrem com os equipamentos e que são tão sutis que, apenas no momento da calibração, onde são testados todos os recursos do equipamento, são detectados. Defeitos como deslinearidade de atenuadores, variações de frequência, distorções nos sinais tonais ou da logoaudiometria, maus contatos e desgaste anormal de acessórios.
Quando for calibrar seu equipamento da próxima vez converse com seu técnico de confiança, pergunte sobre o estado geral em que se encontram as coisas e detalhes da calibração, questione sobre o que está sendo feito e o ouça o que ele recomenda. Quem sai ganhando é você e seus pacientes.

 

Por Jorge Calleros

Master Audiologia